sexta-feira, janeiro 18, 2008

Cantiga d'os olhos verdes

Estou arrumando a casa ainda, mas daqui a pouco tudo entra nos eixos!


De mais, tudo bem...Até que enfim as coisas estão mais calmas para mim [exceto aquelas que nunca descansam], e tenho respirado livremente como tanto gosto!


Certas outras coisas são como dores de dente, não passam fácil e doem tanto, mas tanto que confundem seu cérebro e você mal pode pensar no que fazer.


Essas coisas eu simplesmente aceito e abdico; não há como expurgá-las facilmente. Sim, talvez seja uma acomodação que data de tempos e tempos, mas simplesmente é assim que reajo, isso às vezes é reconfortante; ter acesso a dores do passado me faz revivê-lo. E sabem como eu sou saudosista, ah, como amo relembrar-me e querer que tudo seja tão perfeito como fora antes, por mais que antes nao tenha sido. Simplesmente amo o acontecer, e não quero que se vá, e isso é complicado... Mas longe de ser regressionista! Eu olho para frente e vivo agora, mesmo querendo que tenha sido ontem.


Enfim, texto do dia:


Cantiga
A este mote alheio:
Menina dos olhos verdes,
por que não me vedes?

Voltas

Eles verdes são,
e tem por usança
na cor, esperança
e nas obras, não.
Vossa condição
não é d’olhos verdes,
porque me não vedes.

Haviam de ser,
por que possa vê-los
que uns olhos tão belos
nao se hão de esconder;
mas fazeis-me crer
que ja não são verdes,
porque me não vedes.
Verdes não o são
no que alcanço deles;
verdes são aqueles
que esperança dão,
Se na condição está serem verdes
por que me não vedes?










Camões é mestre, e nada melhor do que começar com ele e com esse pequeno poema que amo!
E tanto me diz...
Bem, enfim, aproveitem e não se equivoquem pelo que verem aqui, eu não sou trebulosa =)

Beijos!

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