
Quando o sol entrou em Libra, o primeiro dia foi de chuva. Então, por três dias o sol entrou pela janela secando a parte de água que havia se acumulado no assoalho. Nos dias seguintes, ventou.
Durante os anos anteriores - e os próximos anos que virão - a chuva, que fugia da décima primeira casa, caía logo ali, sete meses depois, após os oito primeiros dias de Libra, o chuvaréu fugia do aguadouro e caía estrondoroso sobre os pratos de metal. Logo após, era vento.
Eram agora feitas dezessete noites primaverís, agora já não ventava, a inclinação da Terra fazia outras sombras, e Urano errou de lugar e entrou em Escorpião, agora tudo fazia muito impacto e revolução em cada vida, as andorinhas ainda estão fugidas com o verão e aquele desejo de liberdade que secava o aguadouro tornara-se in-sa-ci-á-vel.
Então veio; e a vinda, que era Sol da Meia-Noite nestes olhos, ficou para sempre entardecer. Nótus assoprou, e seu sopro formou as nuvens que aqui encobrem meus olhos, as gotas de chuva acertam bem na íris e caem ralas pelas pupilas, grandes bocas que se abrem e se fecham a cada raiar d'algo. Oitenta e nove dias, vinte horas e dezesseis minutos, neste momento já subtrairam-se dezoito dias; Libra equinociando o renascer não tem mínimo ou total conhecimento de seu sucumbir em meio de tanta água.
Agora é silêncio e Éris sussurra nos ouvidos da humanidade. Não há problema, o sol ainda está em Libra, o aguadouro transborda e, na realidade, Urano ainda não saiu de Peixes.
Quando vens, faço Aurora. Mas tu sempre chegas Boreas.
Imagem: Boreas, de John William Waterhouse (1849-1917)

